ATLETAS DO REINO
ATLETAS DO REINO
O clima olímpico me deixa extasiado, apesar de não conseguir acompanhar nem metade de todos os eventos esportivos que acontecem nesse período, eu me sinto novamente um atleta, não de alta performance, mas como o menino que por alguns anos, dedicou parte da vida a treinar Karatê. Gosto dos esportes em grupo, menos de futebol, apesar de brasileiro, não gosto muito de ficar no mínimo 2 horas vendo uma bola rolar de pé em pé. Gosto de Vôlei, que por vários minutos tiram o fôlego da plateia que vibra a cada "rally" que se trava.
PEQUENAS VITÓRIAS
Mas não quero falar sobre esses esportes, por hora quero falar de um atleta em sí, Michael Phelps e de como o exemplo de um dos maiores, senão o maior, atleta Olímpico nas piscinas gigantes, tanto individualmente, quanto nos revezamentos, se bem que acho que se ele nadasse sozinho, ele ganharia para algumas nações, me ajudou na busca de um relacionamento melhor com Deus. Lendo um pouco da rotina do atleta no livro “O PODER DO HÁBITO” indico para todos que conheço, me fixei na narrativa de uma prova do ano de 2008, Olimpíadas de Pequim, 13 de agosto, 10 horas da manhã, a sua melhor modalidade, 200 metros borboleta.
Mas o dia do atleta começa às 6:30 da manhã, tomou café às 7h, ovos, aveia e 4 milk shakes energéticos. Seu alongamento começa exatamente às 8h. Às 8:30 ele vai na piscina e começa suas voltas de aquecimento. 800 metros misto, 600 metros pernadas, 400 metros puxando uma bóia entre as pernas, 200 metros braçadas e alguns springs (alguns tiros de 25 metros entre braçadas leves). Exatos 45 minutos.
LZT RACER, o nome do melhor e mais apertado traje de natação que existia na época, levava 20 minutos se espremendo para entrar. Phelps o coloca às 9:15h. Depois disso coloca os fones de ouvido e dá o play em sua lista de hip-hop feita justamente para aquelas olimpíadas.
Depois de toda essa rotina eu me pergunto, como anda o meu tempo com Deus? Como anda o meu tempo devocional? Como eu ando me esforçando a cada dia para escutar melhor a Sua voz e seguir os seus preceitos?
A palavra do Senhor nos fala em João 17:3 - Que a vida eterna é conhecer a Deus; e a Cristo o enviado…
Conhecer é ter intimidade, está atrelado a passar tempo juntos, dividir momentos, curtir não simplesmente dando um “like”, mas no sentido original da palavra que é deixar maturar, extrair o melhor do tempo juntos. Poder falar e saber que está sendo ouvido e ouvir tendo a seguridade de que é o melhor conselho do mundo. Como anda o nosso tempo com Deus?
CONHECIDOS PELA BONDADE
Phelps em sua rotina diária, tinha sua vida devocional. Ele dedicava tempo às pequenas vitórias de sua rotina, que montavam aos poucos uma colcha de retalhos que se tornaria grande e recheada de várias vitórias em sua carreira. Em sua carreira Phelps, conhecido como o melhor, abocanhou 28 medalhas, destas 23 foram de ouro. Começou a nadar aos 7 ano de idade e para sua última participação nas olimpíadas, havia se preparado 6 anos ininterruptos. 356 dias por ano, enquanto os adversários em sua maioria treinavam 6 dias por semana, ele dizia que os treinos aos domingos eram um investimento para se tornar o melhor. Assim foi forjada uma carreira de ouro, de um atleta que ficou conhecido como melhor em seu esporte.
Cristo nos chama para sermos melhores, alias Ele nos chama para ser a melhor versão que possamos ser dEle nessa passagem pela terra. Ser conhecido por nossa bondade, é algo que deve estar em nosso testemunho diário, pois nesse mundo caótico, pontos de bondade e de amor genuíno, acabam sendo porto seguro para muita gente que está perdido sem direção. A vida de intimidade com Cristo nos chama a ser bons por osmose, só de estar perto e compartilhar. Fazer as coisas com Cristo e se tornar como ele é bem melhor que fazer as coisas para Cristo, só pela mecanicidade de servir, sem ter intimidade, sem ter a noção que o eterno começa agora. Não importa que tenhamos 10, 50 ou 100 anos. A alegria eterna não começa nos céus, começa aqui neste tempo, no presente. Sejamos conhecidos pela bonde de Cristo Jesus.
VISÃO DO ETERNO
COLOQUE A FITA. Pequena frase que Phelps deve ter escutado milhares de vezes durante sua carreira. Técnica introduzida por seu treinador Bowman, que ao perceber que desde pequeno Phelps era acometido pela ansiedade, aos poucos foi mudando seus hábitos para que ele tivesse controle sobre o seu redor. A fita não era física, porém tinha um efeito mental poderoso na rotina de Phelps. A fita era o imaginário da prova perfeita. TUDO, desde a subida no bloco, escutar o sinal de largada, pular, sentir seu corpo deslizando sob a água em movimentos calculados, todas as saídas e entradas de braçadas durante toda a prova. Phelps imaginava como sua boca iria abrir para entrada de ar e qual intensidade teria que botas nos pulmões para que o ar saísse por baixo da água. Phelps imaginava a distância correta em que deveria fazer o giro para pegar impulso e começar uma nova etapa. TUDO, desde a largada até o último toque na parede da piscina, a retirada do óculo para ver no telão o resultado, até arrancar a touca da cabeça era imaginado naquele momento. A prova perfeita. E ele tocou essa fita em sua cabeça vários e vários anos, todos os dias antes de dormir, todos os dias ao acordar e condicionou o seu corpo e mente a trabalharem um um único propósito, ver a vitória antes de ela chegar. Só para a última olimpíada, ele treinou 1.290 dias tendo em mente a prova perfeita todos os dias, várias vezes ao dia, Phelps de um jeito programado se treinava para o futuro.
Quantas vezes por dia pensamos no eterno? Quantas vezes por semana? Mês? Quantas vezes pensamos em transmitir uma verdade sobre a visão do eterno para nossos familiares, vizinhos, colegas de trabalho? Olhando para a vida de Phelps me pergunto o quanto estamos despreparados fisicamente e espiritualmente para um simples dia de atleta aqui na terra. Mas a nossa missão, a nossa visão, o nosso anseio não deve ser terreno, momentâneo deve ser ETERNO. Devemos parar de nos preocupar em como vivemos neste mundo e nos preocupar se o nosso estilo de vida nessa terra, tem nos validado a viver em uma próxima etapa, em um próximo estado com Cristo.
CONCLUSÃO
O autor de Hebreus no capítulo 12 versículos do 1 ao 3 diz o seguinte:
"Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas depois de eliminar tudo que nos impede de prosseguir e o pecado que nos assedia, corramos com perseverança a corrida que nos está proposta fixando os olhos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé, o qual, por causa da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo casa da vergonha que sofreu, e está assentado à direita do trono de Deus. Assim, considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não cansei e fiqueis desanimados."
Às 10 horas da manhã naquele dia de prova, Phelps subiu ao bloco de largada, desceu, balançou o braço 3 vezes como sempre fazia, subiu novamente e esperou o sinal de largada. Assim que pulou e alcançou 25 metros da primeira etapa, notou que havia umidade em seus óculos de natação. Aos 50 metros, já estava literalmente entrando água e ainda faltavam 150 metros para finalizar a prova e ele estava praticamente cego embaixo da água. Naquele momento, ele rodou a fita. Certa vez o seu treinador Bowman, havia o levado para nadar à noite, prevendo que talvez um dia isso pudesse acontecer, e ele tinha aquela fita ainda em sua memória da prova perfeita. Calculou as braçadas, as viradas, a respiração e seguiu em sua prova imaginária perfeita. Para os último 50 metros, Phelps calculou que teria que dar 19, 20 ou 21 braçadas para alcançar o final da prova e continuou em seu objetivo, na 19ª estico o braço, mas ainda não deu, na 20ª braçada esticou um pouco mais e ainda não chegou, Mas na 21ª braçada, sua mão toca a parede em sua frente, e o atleta tira os óculo que ainda o deixaram com pouca visão segundos antes de olhar para o telão do resultado e ver que havia batido o recorde mundial naquela prova.
Ao sair da piscina, quando deu uma pequena entrevista, depois de já ter se espalhado a notícia que ele teria feito a prova com problemas nos óculos, um repórter perguntou como teria sido nadar cego? E a resposta foi: “Exatamente como eu tinha imaginado”.
Pequenos hábitos de intimidade vitoriosos;
Testemunhar uma vida de bondade;
Começar a viver o eterno agora.
Pequenos passos que a longo prazo nos tornarão atletas melhores nessa jornada aqui na terra, visando uma jornada também com Cristo na próxima etapa, devem preencher os nossos pensamentos todos os dias.
Tenha intimidade, no devocional, na oração constante,se prepare para a hora da tribulação, imaginando o que Cristo faria, e faça.
Tenha pensamento do alto, buscando diariamente estar envolto não só em um ambiente espiritual, mas em um ambiente em que você ajuda o próximo a chegar nesse patamar.
Que o Senhor Jesus Cristo venha nos ajudar e nos treinar para vivermos uma vida hoje, vivendo no eterno.
Douglas Bezerra Martorelli.
Mensagem à Igreja de Cristo em São Lourenço da Mata (01/08/2021)
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